quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Car Crash - Rodrigo Santos

Como pneus derrapam no cimento úmido,
Sinto minhas mãos perderem aderência
Na pele macia de teus seios pequenos,
Na aura escura de teu amor doentio.

Meu mundo gira por detrás do volante,
Cada cena é um momento fugaz e untrustable
Que, quando me viro, já passou,
E, quando eu olho, já não está mais lá.

Evoluindo em torno de eixos imagináveis,
Capoto com minhas convicções futilizadas,
Inúteis sob a ótica de teus olhos argônicos,
Vazias de sentimentos bons e auspícios nobres.

Agoniza, à beira da estrada poeirenta,
O último exemplar de uma espécie malfadada,
Preso entre as ferragens de sutiãs de renda,
Sangrando gasolina adulterada e vinho seco.

Meus lábios cortados ainda pronunciam teu nome
Para a equipe de resgate sentada no sofá da zona,
Mas se perde entre a fumaça de charutos baratos
E perfumes adocicados de felizes putas.

Você foi um acidente do qual nunca me recuperei,
Uma colisão de egos feridos e tesão incontrolável,
Que me deixou feias cicatrizes expostas no rosto,
E me faz hoje caminhar apenas pelo acostamento.

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