Nelson Rodrigues dizia que quando um gol acontecia de forma totalmente não convencional, estranha, que entrara em campo o Sobrenatural de Almeida, criando o gol mágico, também chamado de "gol espírita".
Pois bem. Em um de seus últimos anos antes de fechar as portas, o Jabaquara Atlético Clube escalou o Sobrenatural de Almeida e evitou o pior. O Jabaquara foi fundado em 1914, na cidade de Santos (SP), por um grupo de jornaleiros espanhóis, conhecidos como "tribuneiros".
No clube sempre houve muita disputa interna pelo poder, com os velhos espanhóis se digladiando na direção. Um desses antigos dirigentes, fanático pelo time, registrou em testamento que após a morte seu corpo deveria ser enterrado no centro do gramado do clube.
A vontade do dirigente causou um vendaval, com as diversas facções descendentes de espanhóis dividindo-se, umas a favor de que se cumprisse a vontade do morto e outras negando-se a escavar o campo para enterrar um cadáver.
Finalmente a vontade do defunto prevaleceu e uma escavadeira entrou no gramado e abriu a cova cinco dias antes de um jogo decisivo entre Jabaquara e Francana, time do interior do Estado de São Paulo.
O Jabaquara precisava da vitória para evitar o descenso para uma divisão abaixo e a Francana precisa ganhar para subir um divisão acima. Ou seja, um jogo de vida ou morte para ambos.
O jogo correu tenso e o primeiro tempo terminou 0 x 0. O empate evitava a queda do Jabaquara, mas não garantia a ascensão da Francana. Até que a 10 minutos do fim da partida a Francana faz 1 x 0.
Festa no interior! Os jogadores do Jabaquara começaram a entrar em pânico vendo o final do jogo se aproximar. Se a situação já estava ruim para todos, imagine tendo de jogar numa divisão inferior. Seria o fim.
No último minuto, vendo que o juiz da partida já havia consultado o cronômetro e daria o apito
final, o goleiro do Jabaquara, desesperado, deu um chutão para a frente, com toda força de que era capaz. A bola subiu mais alto do que nunca, caiu no centro do gramado, exatamente no meio, em cima da cova do dirigente enterrado, quicou e subiu novamente, descrevendo uma curva que desafiava as leis da física, e se encaminhou para as traves da Francana. O goleiro interiorano, incrédulo, viu a bola se encaixar no alto, no ângulo, impossível de ser defendida. Placar final: 1 x 1.
Os jogadores do Jabaquara, maravilhados com o acontecimento, correram todos para o centro do gramado, ajoelharam-se em volta do círculo central e da cova se benzeram com respeito. Era um jogo de vida ou morte. O Sobrenatural de Almeida tinha de jogar!
domingo, 13 de dezembro de 2009
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