quarta-feira, 27 de maio de 2009

ASA DE CORVO - AUGUSTO DOS ANJOS

Asa de corvos carniceiros,

asa De mau agouro que,

nos doze meses,

Cobre às vezes o espaço e cobre ás vezes

O telhado de nossa própria casa...

Perseguido por todos os reveses,

É meu destino viver junto a essa asa,

Como a cinza que vive junto á brasa,

Como os Goncourts,

como os irmãos siameses!

E com essa asa que eu faço este soneto

E a indústria humana faz o pano preto

Que as famílias de luto martiriza...

E ainda com essa asa extraordinária

Que a Morte
-
a costureira funerária
-
Cose para o homem a última camisa!

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